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10 Coisas para Fazer na Figueira da Foz no Outono

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Coisas para fazer na Figueira da Foz no outono. Por do sol na marina da Figueira da Foz

O tempo arrefece, a chuva dá mais ares da sua graça, fazem-se as colheitas e as vindimas, as aves migratórias preparam a sua viagem, os plátanos mudam de cor e as multidões de turistas balneares regressam a casa e às rotinas de trabalho. Na Figueira da Foz, no entanto, como temos mostrado com insistência aqui no MeetFigueira, há vida todo o ano e por todo o concelho. Natureza, cultura, gastronomias, paisagens, a nossa terra tem atrativos para todos os gostos, idades e épocas estivais.

Por isso, venha o Outono, época de renovação por excelência e descubram-se outros encantos. Esta é uma lista, como sempre, subjetiva e eventualmente imperfeita, mas são estas as nossas opções de coisas para fazer na Figueira da Foz no Outono. Agasalhe-se e parta à descoberta…

1 – Observar Aves

O Outono é uma das melhores épocas para observar aves na região, sobretudo as migratórias, que chegam de vários destinos em direção a sul e a paragens mais amenas ou para ficar por aqui no inverno – na verdade todo o Baixo Mondego tem intensa atividade avícola todo o ano e observar é um passatempo para todas as estações. Setembro e outubro, no entanto, são meses de migrações por excelência e em zonas como o estuário do rio, sobretudo na área das salinas – Morraceira ou Armazéns de Lavos -, é possível observar grandes bandos de aves como os icónicos flamingos ou típicas aves de outono como o maçarico-das-rochas e a chilreta sterna, que encontram refúgio ou pausa nos nossos ecossistemas ribeirinhos ou marinhos.

Ou mesmo as gaivotas, renove também o seu olhar sobre a gaivota, é capaz de se surpreender com a diversidade e a beleza fotogénica destas aves, tão familiares quanto incompreendidas. E porque não as pequenas aves que habitam nas áreas urbanas, nos nossos parques e jardins? Com o desenvolvimento da vegetação na chamada ante-praia, as praias urbanas da cidade oferecem também já uma grande diversidade de espécies, que aí se alimentam e nidificam, observáveis dos passadiços. São de facto inúmeras as espécies de aves que nos rodeiam e nem precisa de ir longe, basta mudar o foco e sair com esse propósito. E se não os conseguir ver, ouça-os.

Mas sem dúvida que o cenário mais espetacular se encontra no estuário, por isso, leve então um par de binóculos, arranje uma boa máquina fotográfica e um guia de aves, roupa confortável, calçado robusto e impermeável para os dias mais húmidos e entre no maravilhoso mundo do birdwatching.

2 – Contemplar o Crepúsculo

Quando sol de põe na costa da Figueira da Foz é como ver o tempo a parar, a paisagem a transformar-se num quadro, uma obra de arte viva, monumental e inspiradora. Normalmente em tons arrebatadores de laranja. Trata-se de facto de um espetáculo a não perder, para todas as estações, sobretudo na orla litoral, onde não faltam excelentes pontos de observação.

Hoje apetece-nos aconselhar dois sítios: o miradouro do Cabo Mondego, um pouco acima da Praia do Teimoso subindo pela estrada da serra, que oferece uma panorâmica deslumbrante sobre a cidade, o vasto oceano e a costa sul, e as Muralhas de Buarcos, uma “varanda” ancestral que proporciona um cenário belíssimo combinando história e natureza. Mais a norte, sugerimos a Praia da Murtinheira, de vastos horizontes e com o imponente enquadramento da serra da Boa Viagem; no interior do concelho, escolhemos desta vez o Monte de Santa Olaia (ou Eulália), em Ferreira-a-Nova, um entardecer tranquilo nos verdes campos do Mondego. Com aves, muitas, não só no horizonte como no magnífico bosque que encontramos no cimo deste monte e do contíguo Ferrestelo, exemplar raro de bosque autóctone primitivo, onde ainda abunda o carvalho e o ulmeiro. E muita história.

Além disso, temos, claro, todas as esplanadas de praia e avenidas marginais da extensa costa figueirense, locais privilegiados para observar o crepúsculo do “deus sol”, aqui já mais confortavelmente instalado e nutrido…

3 – Visitar Montemor-o-Velho

A Figueira da Foz também tem vizinhos de eleição e que merecem sem dúvida uma visita. Já que está no Monte de Santa Olaia, parta por isso à descoberta da região, rio acima. Poucos quilómetros a montante, Montemor-o-Velho oferece, desde logo, uma magnífica paisagem campestre e um imponente castelo medieval com uma belíssima capela no interior e bons pontos de observação, um local romântico e pleno de história, com vistas deslumbrantes sobre os férteis campos agrícolas do Baixo Mondego e uma rica herança patrimonial, sobretudo concentrada no pitoresco burgo antigo, alcandorado nas encostas do monte do castelo.

Também oferece um parque zoológico com animais exóticos que proporciona um bom programa para famílias, o Paul do Taipal, refúgio de dezenas de espécies e em particular de aves migratórias, bem como excelente restauração, para quem aprecia a boa mesa e os produtos de excelência desta zona, como o arroz carolino, as hortícolas, a carne marinhoa ou o peixe de rio – sem desonra para as outras excelentes casas, aconselhamos desta vez a experimentar o excelente Pimenta Verde, uma deliciosa pequena/grande surpresa.

A não perder, também, uma visita à povoação da Ereira, uma “ilha” rodeada de verde, local ideal para um piquenique à beira da sua praia fluvial, se o tempo estiver de feição.

(imagens gentilmente cedidas pelo Município de Montemor-o-Velho)

4 – Celebrar o São Martinho

Outono também é sinónimo de festas de São Martinho, a magustos e ao irresistível cheiro a castanha assada pelas ruas, principalmente pelas ruas do Bairro Novo ou à beira-rio. E, com sorte, a voltar a sair com menos roupa no corpo, no “verão de São Martinho”, quando esta época festiva coincide com o último adeus do calor e do sol. Mas passear e degustar umas castanhas ainda a fumegar no cone de papel é sem dúvida um “must” das coisas a fazer na Figueira da Foz nesta estação.

O São Martinho celebra-se a 11 de novembro e assinala também o fim das vindimas, o vinho novo e a jeropiga, que aquece o corpo e a alma, preparando-os para o inverno que aí vem. Um pouco por  todo o concelho é assinalada a data, mas destacamos aqui as Festas de São Martinho de Tavarede. A Igreja Paroquial da sede de freguesia é dedicada a São Martinho e todos os anos prepara um evento lúdico e religioso a não perder, incluindo o tradicional Cortejo de Oferendas.

(imagem gentilmente cedida pelo Pifo – Coloquial Petisqueira do Bairro, que também é fã da bela castanha)

5 – Explorar a Serra da Boa Viagem

Bem agasalhado e impermeabilizado, claro, pois a Serra, e o seu grande parque florestal são um ambiente mais húmido e frio. Normalmente até é um destino aconselhado no verão, sítio de excelência de piquenique e atividades em família, mas também é um sítio que ganha outro encanto no outono. E no MeetFigueira gostamos de sugerir experiências diferentes e enriquecedoras. Por isso este desafio de outono compreende não dar tanta importância a miradouros e largas paisagens, mas antes uma atenção plena às pequenas coisas.

Atrás de setembro seguem as chuvas, a natureza sacode a secura e volta a ganhar vida e cor, os animais intensificam a azáfama de preparação para o inverno, e o mesmo fazem as árvores de folha caduca, que vão mudando a tonalidade da paisagem.

À sombra de imponentes eucaliptos, os castanheiros, as bétulas, as azinheiras, os sobreiros e os plátanos criam espessos tapetes de folhas fofas, onde começam a despontar os cogumelos e que oferecem um quadro encantador de tonalidades castanhas e vermelhas; os insetos abundam, e atrás deles os pequenos répteis e batráquios, os esquilos e, mais uma vez, as pequenas aves, criaturas tão irrequietas quanto fascinantes, que nesta época mais húmida mas ainda quente se revelam mais. A quem estiver, lá está, desperto para as pequenas coisas. Dica: aprenda a ouvir e dê atenção às aves cantoras, como o rouxinol, o melro e o pintassilgo, que por aqui também dão ares da sua grande graça.

Com cautela e respeito pelos habitantes do parque florestal, pegue num impermeável e botas para a lama se estiver de chuva, embrenhe-se pelos trilhos da serra e pare, escute e olhe…

6 – Fazer a rota das hamburguerias

Os amantes da alimentação saudável e os que estão de dieta que fechem agora um pouco os olhos, esta sugestão é mais para quem prefere comida mais prática e simples, mas também mais “substancial”. Comida que também pode, no entanto, ser bastante sofisticada… Qualquer boa casa de hambúrgueres figueirense, de resto, também oferece opções vegetarianas ou menos calóricas para quem se preocupa mais com a linha e com a dieta e a criatividade também abunda.

Seja como for, o hambúrguer, a par com a pizza, é talvez o prato mais universal do mundo gastronómico. É claro que valorizamos os patrimónios alimentares locais, somos paladinos do Carolino e do Chouriço de Quiaios, mas também valorizamos a boa mesa e a inovação e, no campo das hamburguerias, a Figueira da Foz apresenta uma oferta de topo, com algumas das melhores casas da região. Por isso, para começar a acumular massa corporal para o inverno, aqui vai uma pequena rota das hamburguerias da Figueira da Foz.

Quase todos os restaurantes oferecem a opção hamburger, alguns de forma também bastante variada e criativa, como o “Praça 18” ou o “Mar” na Praia de Quiaios, mas os estabelecimentos desta rota destacam-se por ter o hambúrguer como o “rei do menu”, foi esse o nosso critério principal. Esta é, então, a nossa seleção de estabelecimentos de hambúrgueres na Figueira da Foz (se acha que falta algum, escreva-nos para geral@meetfigueira.com): 

7 – (re)Descobrir a Biblioteca

Nos dias chuvosos, recolha-se neste santuário de conhecimento e silêncio. A Biblioteca Pública Municipal Pedro Fernandes Tomás encontra-se não só num edifício belo e singular, arquitetura premiada e classificada como património municipal, como constitui uma varanda privilegiada para o Parque das Abadias.

Tem acesso livre a todos os jornais e revistas do dia, mesas e cadeiras para estudar, wifi, serviço de fotocópias, grande coleção de CD’s e DVD’s, uma excelente hemeroteca e uma coleção enorme de livros para ler – mais de 500 mil obras. Sugerimos, claro, que a visita a este templo do saber seja uma oportunidade de conhecer melhor esta terra e as suas gentes e as muitas obras dedicadas à Figueira da Foz, sobretudo explorando a Sala Figueirense, onde encontramos a principal “bibliografia” do concelho e as obras raras e mais antigas.

Mas também pode ser uma experiência em família, pois a Sala Infanto-Juvenil, além de jogos, livros e conteúdos multimédia, também tem uma agenda de eventos e propostas lúdico-educativas. Aberta de segunda a sexta-feira, das 09h30 às 18h30 e sábados das 14h00 às 19h00.

8 – Explorar Poças de Maré

As praias da freguesia de Buarcos, do Cabo Mondego para sul, até à Praia de Buarcos propriamente dita, são sobretudo praias rochosas. Nesta extensa faixa de litoral não faltam grandes formações rochosas que entram mar adentro, proporcionam fotos panorâmicas magníficas e, principalmente, servem de habitat a um grande número de espécies de flora e fauna, que na maré baixa se revelam. Por isso, consulte a tabela de marés, prepare a máquina fotográfica, instale ou abra plataformas digitais como a ‘BioDiversity4All‘ ou a ‘iNaturalist‘, conheça a pequena biodiversidade costeira figueirense e registe as formas de vida que encontrar, enviando as suas fotografias e identificando o local da observação. Para quem ainda não tenha, descarregue a aplicação, e faça o registo no projeto Biodiversidade no Concelho da Figueira da Foz: clique aqui.

Para quem pretenda ir mais a fundo neste riquíssimo assunto, tem sempre mais literatura de apoio, seja online – como este ensaio: Guia de Identificação Invertebrados Marinhos da Baía de Buarcos -, seja guias e obras disponíveis, por exemplo, na Biblioteca do Núcleo Museológico do Mar, também em Buarcos. Tal como noutras sugestões relacionadas com o património ecológico, aconselhamos vivamente a seguir a velha máxima do turismo ambientalmente responsável: Não tire nada além de fotos, não deixe nada além de pegadas e não leve nada além de saudades.

9 – Sair à rua e contemplar… arte

Se ainda não sabe o que fazer na Figueira da Foz, a cidade também está repleta de obras de arte, mas nem sempre damos por elas. Estátuas, instalações, pinturas murais, painéis cerâmicos e graffitis embelezam muitos pontos do espaço público figueirense e merecem um olhar mais atento. A cidade também é uma galeria.

Para sua sorte, o Município já fez a identificação dos principais pontos de interesse e existe uma Rota da Arte Urbana: O melhor da arte pública figueirense e outra proposta de parar. E olhar. E como gostamos de lhe facilitar a vida, também criámos um mapa digital para esta rota das belas artes no espaço público figueirense.

Já agora, cabe uma nota e um alerta às entidades responsáveis para a urgência de reabilitação e manutenção de algumas destas obras, particularmente expostas à efemeridade, sendo aconselhável um levantamento da situação no sentido da preservação desta bela rota:

10 – Aprender Música

Por falar em artes, a Figueira da Foz também é uma terra de fortes tradições musicais, com destaque para o movimento filarmónico e etnográfico em todo o concelho, mas também para os eventos e concertos e, lá está, para o ensino de música, sendo rara a coletividade que não tenha ensino musical ou uma sala de espetáculos. E como o outono, depois do expansivo verão, é época de maior instrospeção e de abraçar novos desafios e decisões, aqui fica uma sugestão para desenvolver a sua criatividade no regresso às rotinas. Porque não, aprender a tocar um instrumento? Opções não faltam e no inverno terá certamente mais tempo para ensaiar.

Para os mais novos que queiram de facto aprofundar o seu talento musical, há sempre a referência incontornável do Conservatório de Música David de Sousa, que obedece ao calendário escolar, ou a Escola de Artes do CAE, mas há alternativas para todas as idades e níveis de conhecimento musical. Falamos de opções como a Associação Tua Cara, instalada no Teatro Caras Direitas (Buarcos), com o seu Estúdio-Escola Musical, com aulas de bateria, guitarra ou piano digital, o projeto In Ear Studio, em Tavarede, com aulas de vários instrumentos individuais ou em grupo, o projeto Canticus Camerae da maestrina Alexandra Curado, com aulas na Assembleia Figueirense, para quem gosta mais de cantar, mas também nas muitas coletividades locais e entidades musicais do concelho, como a Sociedade Filarmónica Figueirense, a Sociedade Filarmónica Paionense, a União Filarmónica Maiorquense, a Filarmónica Quiaiense ou a Sociedade Artística Musical Carvalhense, em Lavos, entre outras, todas com as suas escolas de música (ver mapa em baixo).

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AUTOR

João P. Cruz
Consultor de comunicação territorial e patrimonial mas tudo lhe interessa. Estudou arqueologia, foi jornalista, biógrafo, ajudante de cozinha, ghostwriter, operacional do ICNF e livreiro. Integra desde 2018 equipas de classificação patrimonial (Nacional e UNESCO) e de projetos de desenvolvimento turístico, cultural e económico local. Está na luta dos territórios sustentáveis e inteligentes. Nasceu em Coimbra, vive na Figueira da Foz há 18 anos e é do mundo. É também co-fundador da MeetMunda Inovação e Turismo, empresa-mãe da marca MeetFigueira.

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