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Castelo de Redondos : a construção mais antiga do concelho da Figueira da Foz

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torre de redondos buarcos

Na antiga povoação de Redondos, no cruzamento da Rua de Santa Cruz com a Rua do Castelo, no ponto mais alto de um monte, num local chamado “Castelo Velho”, jazem mil anos de história….
A atual povoação de Buarcos foi constituída por 2 povoações distintas, Buarcos e Redondos, ambas importantes e ambas com Câmara Municipal. A atual parte alta de Buarcos denominava-se Redondos. A parte baixa denominava-se Buarcos.


Redondos teve Câmara Municipal até 1794. Nessa data o concelho de Redondos foi anexado pelo concelho de Buarcos e a Câmara Municipal de Buarcos passou a denominar-se de Buarcos e Redondos.
Buarcos foi sede de concelho entre 1342 e 1836.
Em 1836 o concelho de Buarcos desapareceu e passou a pertencer ao concelho da Figueira da Foz.
Redondos teve um importante castelo no século XI, do qual ainda existem vestígios, o “Castelo de Redondos”, também conhecido por “Torre de Redondos” ou “Castelo de Buarcos”.


Pela sua posição estratégica, o Castelo de Redondos defendeu Buarcos e Redondos de incursões e desembarques de tropas inimigas, durante muitos séculos. Foi um exemplar de “domus fortis” medieval, de planta quadrangular, dividindo-se internamente em três ou quatro pavimentos, em cujas paredes se rasgavam seteiras. O conjunto era coroado por ameias.
Atualmente apenas existe uma pequena parte do Castelo, um cunhal da antiga torre medieval, no cruzamento da Rua de Santa Cruz com a Rua do Castelo, no ponto mais alto de um monte, num local chamado “Castelo Velho”.

Foi citado pela primeira vez no ano 1096, numa doação feita pelo Abade Pedro à Sé de Coimbra.
Neste local terá existido um castro dominado por uma colónia fenícia e, posteriormente, no ano 46 a.c., terá sido ocupado pelos Romanos. Quase mil anos depois, o chefe árabe Abdurrhaman, em 844, manda construir um castelo para defesa do litoral contra as incursões dos piratas normandos.


No século XI, de 1070 a 1080, o castelo foi ocupado pelo conde Sisenando (1º governador do distrito de Coimbra), que o restaurou, tendo construído duas torres junto do embarcadouro e uma couraça de ligação à antiga fortaleza, para proteção dos corsários que invadiam as povoações costeiras.
No século XII, o Castelo de Redondos volta a ser citado numa doação de D. Afonso Henriques (1112 – 1185), de Junho de 1143.
No século XIII, conhece-se a notícia do emprazamento da Torre de Buarcos a João Retundo, feita pelo senhor de Eimide (1256). Ainda no século XIII, num rol das propriedades do Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra vem mencionada a torre de Buarcos (“ar habent torrem de buarcos cum as vinea”).
No século XIV, no reinado de D. Afonso IV (1325-1357), o castelo terá servido de prisão.
No século XV, em 1411, D. João I (1385-1433) doou o senhorio de Buarcos a seu filho D. Pedro, duque de Coimbra, tendo este acrescentado 2 baluartes ao “castelo” de Buarcos e dotando-o de peças de artilharia. A Torre de Redondos foi ampliada, com a abertura de um fosso, fazendo então conjunto com uma outra torre localizada nas proximidades.
No século XVI, o Castelo de Buarcos pertenceu à Sé de Coimbra e, no “Livro de Fazendas e Rendas”, da Universidade de Coimbra, em 1579, refere-se que o “Castelo de Buarcos” possui uma torre-forte para defesa, também designada por “Torre de Cima da Igreja” ou “do Mosteiro de Santa Cruz”, para se distinguir de uma outra, a Torre de Baixo ou de Gonçalo Pryvado, deixando entender a existência de uma dupla estrutura defensiva.

A CONSTRUÇÃO MAIS ANTIGA DO CONCELHO DA FIGUEIRA DA FOZ

No século XVII, em 1697, D. Leonardo de Santo Agostinho doou a alcaidaria-mor da Torre de Redondos ao seu sobrinho Pedro Viegas de Novais.
No século XVIII, em 1788, nas informações sobre os direitos do Mosteiro de Santa Cruz sobre a vila de Redondos, é mencionada a Torre de Redondos.
Com a construção da Fortaleza de Buarcos, a partir do século XIV e até ao século XVII, o Castelo de Buarcos perdeu importância estratégica, entrou em ruína e quase desapareceu.
No século XIX, em 1843, Carlos Van Zeller e o conde polaco Athanasius Raczynski (1788-1874) referem-se ao Castelo de Redondos quando possuía ainda ameias e muralhas.
Em 30 de outubro de 1854, o Ministério das Obras Públicas decidiu demolir o castelo, tendo sido “salvo e reparado [o] cunhal do torrião, pelo engenheiro hidrógrafo Francisco Maria Pereira da Silva, para servir de marca aos marítimos e de sinal aos trabalhos geodésicos e topográficos do reino“.


De um “velho castelo quadrado que se erguia sobranceiro à povoação”, também designado como “Torre” ou “Castelo de Redondos”, citado pela primeira vez no ano 1096, numa doação feita pelo Abade Pedro à Sé de Coimbra, e também citado em 1143, numa doação de D. Afonso Henriques, apenas ficou o cunhal de um torreão, “salvo e reparado pelo engenheiro Francisco Maria Pereira da Silva para servir de marca aos marítimos e de sinal aos trabalhos geodésicos e topográficos do reino”.


As ruínas da Torre de Redondos encontram-se classificadas como Imóvel de Interesse Municipal, por Decreto n.º 2/96, publicado no Diário da República, I Série-B, n.º 56, de 6 de março de 1996.
O Castelo de Redondos pode ver-se numa imagem de Pedro Teixeira de 1634 e as suas ruínas de meados do século XIX chegaram até nós através de um desenho publicado num artigo de António Júlio de Valle e Sousa, intitulado «Viagens no Paiz (XXV) Buarcos», do Semanário Ilustrado “Branco e Negro”, datado de 12-09-1897, páginas 371 a 376, e através de uma monografia de Maurício Augusto Águas Pinto e Raimundo Esteves, “Aspectos da Figueira da Foz”, edição da Comissão Municipal de Turismo, datada de 1945. Existe ainda no Museu Municipal uma miniatura em cortiça da autoria do arqueólogo e distinto investigador figueirense Goltz de Carvalho.

É a construção mais antiga do concelho da Figueira da Foz.

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AUTOR

Fernando Curado
Natural do Alqueidão, Figueira da Foz, Fernando Curado é um engenheiro civil aposentado, especializado em engenharia sanitária. Esteve sempre ligado a entidades públicas. Atualmente reside em Beja. Há 10 anos, assumiu estudar a história da Figueira da Foz e divulgá-la de forma sintética. Já o faz desde 2015. E está só no início.

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