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O que fazer na Figueira da Foz: Um Passeio Ribeirinho sobre Rodas

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Praca da Europa vista de rio

Ciclovia de Vila Verde

Dias da Bicicleta deviam ser todos, como o Natal. Pedalar faz bem à saúde, diminui a poluição e permite conhecer melhor os caminhos por onde passamos. Por isso aqui no Meet nunca faltarão motivos para celebrar a bicicleta. A Figueira da Foz tem vindo a construir algumas boas vias de cycling dedicadas, mas ainda falta alguma articulação entre troços e concluir diversos projetos em curso. A chamada Ciclovia do Mondego é um deles. Se não sabe o que fazer na Figueira da Foz, venha conhecer pelo menos parte desse percurso.

Trata-se de um projeto antigo, que pretende unir os concelhos do Baixo Mondego: Coimbra, Montemor-o-Velho e Figueira da Foz, através de uma alternativa de mobilidade suave que acompanhe as margens do rio através de campos, arrozais e arvoredos, naquele que será sem dúvida um percurso de excelência. Isto, assim consiga chegar o projeto a bom porto, já que tem sido um parto difícil. Os municípios, no entanto, vão construindo individualmente os seus troços cicloviários, que mais tarde se poderão unir. E a Figueira da Foz, claro, vai avançando com a sua via suave por este rio acima. A chamada Ciclovia de Vila Verde é, assim, a primeira etapa.

É deste troço ribeirinho que se fala hoje, 3 de junho, Dia Mundial da Bicicleta: um belo e tranquilo percurso ao longo dos últimos 5 quilómetros do Mondego, pela margem direita, quase sempre em linha reta e em nível plano e quase na totalidade ao longo da zona portuária. Ou seja, um passeio literalmente para todas as idades, inclusivo, com o rio por anfitrião.

Para efeitos “oficiais” trata-se de dois percursos distintos, construídos em momentos diferentes: a Ciclovia da Estação, cerca de 700 metros entre os Paços do Concelho e a estação de comboios; e o troço de Vila Verde, mais recente e com cerca de 3 quilómetros, que combina asfalto rolante com saibro bem compactado. Mas para todos os efeitos práticos são uma continuidade. E vamos até ser mais arrojados, vamos começar mesmo na Foz do Mondego, na Avenida de Espanha, junto ao Forte de Santa Catarina.

A grande esplanada dos edifícios portuários será o ponto ideal para a selfie de partida, se queremos assim começar onde o rio acaba. Neste ponto, ainda podemos usufruir de ciclovia dedicada, que termina logo antes da Marina. Aqui tem a opção “devagar”, seguir em frente pelo largo passeio em pedalada lenta e com muita cautela aos peões, mantendo sempre o contacto visual com o rio; ou a opção “depressa”, indo pelo alcatrão juntamente com o tráfego rodoviário.

O que fazer na Figueira da Foz: Um Passeio Ribeirinho sobre Rodas
O que fazer na Figueira da Foz: Um passeio ribeirinho de bicicleta pelas Ciclovias da Estação e de Vila Verde

De uma forma ou de outra, 500 metros depois, no final do porto de recreio encontra o início oficial da nossa Ciclovia.

Vila Verde é uma das freguesias mais antigas do concelho, atualmente tem sobretudo caráter residencial e industrial, com predominância de paisagem rural ou florestal e é também a freguesia mondeguina por excelência, com as suas colinas viradas ao rio a que os antigos romanos chamavam Munda e com séculos de convivência com o tráfego fluvial, com a pesca ou mesmo com o sal, visto que a Ilha da Morraceira esteve durante muitos anos adstrita a este agregado populacional. Mas já vamos aos pontos de interesse no nosso destino.

Partimos então da Praça da Europa, fronteira aos Paços do Concelho, que começa por ser também a nossa primeira paragem. Ladeada por um belo jardim e um miradouro para a foz (do lado da marina) que proporciona fotos magníficas, a Praça da Europa Manuel Alfredo Aguiar de Carvalho merece atenção pelo enorme relógio de sol, cujo ponteiro é a vela triangular metálica que se ergue no centro – monumento com 10 metros de altura e 2 toneladas de peso, executado nos Estaleiros Navais do Mondego.

No chão, para o visitante atento, será bem visível a numeração e os símbolos do zodíaco num enorme semicírculo, marcando a hora solar, os meses e as estações do ano. Este monumento faz parte de um projeto de arquitetura paisagística aquando de obras de expansão do porto comercial, que transformou aquele espaço numa bela praça pública onde se realizam eventos.

Seguimos depois por um troço sem particular interesse paisagístico ou cultural – a não ser que seja aficionado de atividade portuária e ferroviária – mas bastante agradável, sobre as árvores da alameda que segue paralela ao cais comercial, a Avenida Saraiva de Carvalho. As árvores terminam junto à Estação da CP e a ciclovia segue por baixo da Ponte Edgar Cardoso, chegando à entrada leste do porto e à Ribeira de Carritos, onde, enfim, mais uma vez se começa a revelar o Rio Mondego no seu esplendor, vendo-se já a Ilha da Morraceira, na outra margem.

O troço continua em asfalto liso até à passagem de nível da Salmanha, onde muda para terra batida, em excelente estado e adequado a todo o tipo de bicicletas. Acompanhamos ainda o domínio portuário vedado, embora as vistas continuem a ser amplas, até chegarmos ao segundo ponto obrigatório de paragem: o Centro Náutico do Ginásio Clube Figueirense. Este complexo de desportos náuticos, onde se pratica vela, remo ou canoagem, está aberto ao público e inclui o Kamone Bar e Petisqueira, com uma cozinha altamente recomendável (também almoços e jantares) e uma magnífica esplanada, bem como uma grande plataforma sobre as águas, que oferece miradouro para a outra margem, a Morraceira ou a ponte a jusante, já se antevendo os férteis campos agrícolas do Baixo Mondego. Sem dúvida um dos mais bonitos “spots” figueirenses, principalmente, claro, ao pôr do sol.

A partir deste ponto, depois desta pausa retemperadora, também começa a ser mais abundante a biodiversidade. Do nosso lado esquerdo, por outro lado, vemos passar os comboios, o que não deixa de ser uma vista pitoresca. Seguimos para o último troço, mais cerca de mil metros de suaves pedaladas. Logo a seguir ao centro náutico, passamos entre a linha de caminho de ferro e a Estação de Tratamento de Águas Residuais e descobrimos uma área de esteiro e margem alagada pelas marés e fértil em aves ripícolas, outra fauna ribeirinha e vegetação abundante. Depois de uma leve colina, entre canaviais, a ciclovia de Vila Verde termina num caminho rural que dá acesso diretamente ao rio, o que significa que vale a pena virar à direita no término e ir até ao fim do caminho, para molhar os pés no Mondego e tirar a “selfie” final perante um cenário arrebatador.

E já que estamos em Vila Verde (sobretudo se tiver boas pernas para “trepar” as tais colinas…), também não será má ideia passar para o alcatrão e visitar alguns dos ex-libris locais, com destaque para o Moinho de Vento preservado, já com direito a baloiço panorâmico, ou o miradouro da Salmanha, um dos mais belos pontos de observação da Figueira da Foz, permitindo uma vista fantástica sobre o estuário do Mondego. A localidade também apresenta algum património religioso e um conjunto de fontes e lavadouros reabilitados, que memorizam o quotidiano antigo da comunidade.

No fim da ciclovia já construída, se tiver pernas para andar mais uns dois quilómetros e seguir sempre ao longo da Avenida da Beira Rio (estrada municipal com pouco tráfego e em bom estado, embora estreita e exigindo atenção redobrada), vai ainda encontrar nesta freguesia o Parque Urbano de Lares, um moderno complexo desportivo e de lazer outdoor, que inclui pista de BMX, centro hípico e campo de basquete e futebol, entre outros equipamentos a merecer uso.

Mantendo-nos, no entanto, no percurso oficial em pista dedicada aos amantes do pedal, trata-se de um passeio curto e de dificuldade mínima, ideal para famílias ou ciclistas de maior idade, que vivamente aconselhamos a fazer ao final da tarde, se o tempo assim o permitir.

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AUTOR

João P. Cruz
Consultor de comunicação territorial e patrimonial mas tudo lhe interessa. Estudou arqueologia, foi jornalista, biógrafo, ajudante de cozinha, ghostwriter, operacional do ICNF e livreiro. Integra desde 2018 equipas de classificação patrimonial (Nacional e UNESCO) e de projetos de desenvolvimento turístico, cultural e económico local. Está na luta dos territórios sustentáveis e inteligentes. Nasceu em Coimbra, vive na Figueira da Foz há 18 anos e é do mundo. É também co-fundador da MeetMunda Inovação e Turismo, empresa-mãe da marca MeetFigueira.

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